segunda-feira, 15 de março de 2021

Digestão Fermentativa em Herbívoros

 Introdução

Os animais herbívoros são aqueles que obtêm seu maior volume energético a partir da ingestão de vegetais e alimentos ricos em celulose.


Podem ser divididos em dois grupos:

1. Herbívoros monogástricos: realizam fermentação caudal, ou seja, a fermentação ocorre no ceco (que será muito desenvolvido - principalmente nos equinos) e/ou no cólon. O ceco terá uma função muito importante em relação as condições necessárias para a realização da fermentação, ou seja, esse local será como uma câmara fermentativa, permitindo a proliferação dos microrganismos que realizarão a fermentação.

Exemplos:

  1.  Equídeos

São animais monogástricos, que possuem um estômago simples (única câmara). Neles, o processo de digestão das fibras se dá principalmente no ceco e grande cólon – com bactérias fermentativas - . A capacidade do estômago do equino é muito reduzida em relação a do intestino delgado, que possui tamanho moderado e é responsável pela etapa mais importante do aparelho digestivo.




  1. Lagomorfos

São animais que realizam cecotrofagia. a fermentação ocorre no ceco, grande parte dos nutrientes (como proteínas oriundas dos microorganismos) seriam perdidas, então a forma que eles encontraram de compensar essa desvantagem é ingerir cecotrofos.

O que são cecotrofos?

São alimentos processados no ceco a partir da celulose. A microbiota cecal, formada por Bacteroides sp., estreptococos, colibacilos, Clostridium perfringens, protozoários ciliados e Cyniclomydes guttulatulus, é responsável pela fermentação da ingesta. Os cecótrofos são ricos em nutrientes essenciais como ácido fólico, vitaminas C, B e K e aminoácidos. A cecotrofagia é necessária, pois a síntese bacteriana destes nutrientes ocorre nas porções finais do intestino, local com pouca absorção de nutrientes. Por outro lado, as fezes são o subproduto da digestão e absorção dos nutrientes e não é o mesmo que cecótrofos. Portanto, lagomorfos realizam cecotrofagia e não coprofagia. (Tratado de Animais Selvagens - Cubas) 






2. Herbívoros poligástricos: São conhecidos como ruminantes e realizam fermentação cranial ou cranio-caudal, ou seja, quando a fermentação é cranial significa que ocorre no RÚMEN e/ou RETÍCULO, já quando a fermentação é cranio-caudal significa que ela além de ocorrer no rúmen e no retículo, ocorre também no CECO e/ou CÓLON (em poucas quantidades).

- Domésticos: maioria ruminantes (bovídeos, veados, girafas, camelos, lhamas)

- Nestes animais, o estômago é subdividido em quatro porções: rúmen, retículo, omaso e abomaso. Alguns autores consideram que apenas o abomaso é o "estômago verdadeiro" e, por isso, as outras porções são chamadas "pré-estômagos". O rúmen é, na verdade, uma grande câmara fermentativa.


Vantagens da fermentação pré-gástrica:

  • Tempo de fermentação prolongado.

  •  Relativa estase de grande volume de digesta propicia adequado crescimento microbiano

  • Ambiente tamponado- propicia diversidade microbiana

  • Detoxificação de compostos secundários das plantas

  • Massa microbiana é nutricionalmente significativa para o animal (compõe proteína metabolizável)

  • Permite existir a Ruminação

  • Reciclagem de nitrogênio via saliva

  • Síntese de vitamina B


Desvantagens dada fermentação pré-gástrica:

  • Proteína amido e outros carboidratos dietéticos são fermentados

  • Perda de parte da energia dos carboidratos como calor e metano

  • Proteína de alta qualidade pode sofrer redução no  valor protéico

  • Fibra pode restringir o consumo



Condições básicas para a fermentação:

  • Estase (retenção do alimento): Dada pela dilatação do rúmen e retículo. Omaso com volume diminuto servindo para reabsorção de agua, de bicarbonato e como filtro de materias muito fibrosos. Monogástrico: principal orgão que faz a fermentação é o ceco.

  • Condições favoráveis para bactérias (ambiente anaeróbico e pH próximo ao neutro): É preciso que o ambiente seja restrito de oxigênio, pois a maioria das bactérias que trabalham na digestão fermentativa são anaeróbicas, e na presença de oxigênio elas acabam esporulando e se tornando inativas. O2 é reduzido a água. No caso do pH é necessário que esteja numa faixa entre 6,5-7,5, em ruminantes, a ruminação é essencial para a manutenção do pH, pois o bicarbonato presente na saliva terá ação tamponante no estômago, já que o alimento será regurgitado, re-salivado, remastigado e re-deglutido. Em herbívoros não ruminantes, existem glândulas no intestino que auxiliam na manutenção do pH através de secreções de ação tamponante, que contém bicarbonato.

  • Fornecimento adequado e regular de substratos: É necessário manter constância na oferta dos substratos. As colônias precisam se adaptar. Não pode ser mudado repentinamente. Os animais podem sofrem em época de seca.

  • Remoção regular e eficiente de substâncias tóxicas e/ou nocivas ao sistema fermentativo: Oxigênio, excesso de CO2, excesso de amônia, metano e outros gases. Esses gases normalmente são removidos através da eructação e das flatulências.



Micro-organismos envolvidos na fermentação:

- Fungos, protozoários e bactérias

  • Fungos: quantidade pequena de biomassa. Maior parte de leveduras. Geralmente envolvidos apresentam capacidade de degradar a lignina e do material mais duro da madeira. Não são imprescindíveis.

  • Protozoários: Tornam a camara mais dinâmica em termos de movimento, facilitando que os substratos encontrem suas enzimas. Além disso, protozoários fagocitam excesso de população bacteriana

  • Bactérias: Têm o volume de enzima necessários para fermentação.





Geração de energia a partir da digestão:

Os vegetais são ricos em celulose, amido, hemicelulose e pectina e esses componentes serão transformados em piruvato e depois são convertidos a acetato, butirato e propionato (são ácidos graxos). Depois de convertidos podem ir para o ciclo de Krebs, onde gerarão energia para manter o bom funcionamento das células.

Glicídeos importantes em vegetais:

  • Celulose
  • Amido
  • Hemiceluloses
  • Pectina
Todas essas grandes moléculas que são digeridas e absorvidas são convertidas em piruvato, e posteriormente formarão três ácidos graxos principais: Acetato, Butirato e Propionato.


Patologias associadas a fermentação de herbívoros:

Timpanismo: seria uma doença causada pelo acúmulo de gases no rúmen. Há uma dilatação excessiva do rúmen comprime o diafragma impedindo a respiração do animal, deixando-o asfixiado.

Acidose ruminal: Geralmente a acidificação do rúmen é algo gravíssimo, levando a morte da colônia, propiciando a necrose do rúmen e consequentemente a morte do animal. 

Retículo - Pericardite Traumática: Passagem de pregos, materiais de pontas cortantes, que vão causar vários distúrbios, inclusive diminuir o ritmo do rúmen, do movimento ideal. Os objetos cortantes geralmente se acumulam no retículo, e isso fica próximo do coração. Objetos pontiagudos que a partir da movimentação ferem o coração.

Cólica equina: causada por vários problemas associados ao processo de fermentação, intoxicações por alguns produtos que irão afetar os sistemas do ceco e cólon.





domingo, 14 de março de 2021

Digestão e Absorção de Proteínas

Introdução

O processo de digestão das proteínas envolve em grande ação de mecanismos químicos, físicos, e os movimentos peristálticos do estômago, que promovem a decomposição do alimento o transformando em bolo alimentar para encaminhar ao estômago. A digestão começa realmente no estômago, que possuem a produção do suco gástrico pelas fossetas/glândulas gástricas, essencial no processo digestivo das proteínas. 

Principais funções da proteína:

  • Função enzimática (ex. pepsina)
  • Função de transporte (ex. mioglobulina e sódio- potássio ATPase)
  • Regulação (ex. hormônios)
  • Sustentação (ex. colágeno)
  • Proteção (ex. Imunoglobulinas)
  • Reserva energética (ex. Albumina)
  • Locomoção (ex. Actina e Miosina)

As proteínas são sintetizadas no citoplasma num processo chamado tradução, onde o RNA-m é lido com o auxilio de ribossomo e o RNA-t vai pareando os seu anticodon com o codon do RNA-m e os aminoácidos na outra extremidade do RNA-t vão formando as ligações peptídicas e assim surge uma nova proteína com vários aminoácidos ligados.

Proteínas como alimento:

São alimentos estruturais ou plásticos porque colaboram para construção estrutural do animal. Cerca da metade dos aminoácidos que são absorvidos são oxidados para a liberação da energia no fígado.

- São macromoléculas que para serem absorvidas precisam ser quebradas por enzimas proteases.

- Na boca não há atuação de nenhuma enzima que atue nas ligações peptídicas das proteínas

- A digestão inicia no estômago sob a ação do suco gástrico.

Suco Gátrico

 
O suco gástrico é produzido na eminência de uma refeição que induz o nervo vago à produzir acetilcolina que estímula a célula parietal a produzir o ac. clorídrico.

A presença de alimentos no estômago estímula a síntese de suco gástrico porque o alimento distend a parede do estômago e através de mecanorreceptores vão estimular a secreção de gástrina que é um estimulante para a síntese de ac. clorídrico

É elaborado por 3 tipos celulares: Células mucosas, cuja função é a proteção da mucosa gástrica contra as condições ácidas e atividade trituradora do estômago. As células principais que secretam pepsinogênio, renina (coagula leite) e a lipase gástrica que atua na digestão de lípideos. E a célula parietal que é responsável pela produção de ác.clorídrico e fator intríseco. 

- Fase cefálica: respostas da visão, olfato e paladar que desencadeiam uma elevação da secreção ácida mediada pela estimulação vagal e também secreção aumentada da gástrina.

A distensão mecânica do estômago e a ingestão de aminoácidos e peptídeos estimulam a fase gástrica. A distensão ativa os receptores de estiramento da parede do estômago que são ligados a nervos estramorais curtos e fibras vagais. Os nutrientes luminais como a.a também são estimulantes para a liberação da gástrina.

A gástrina é transportada pelo sangue circulante até a mucosa oxintica que estimula a liberação de histaminas pelas células ECL



A estímulação da secreção ácida ocorre por algumas vias:

1. Via parácrina: Histamina se liga a receptores histamínicos do tipo H2 que irão estimular a adenilciclase fazendo com que aumente a produção do segundo mensageiro (cAMP) que ativará uma proteína-cinase A que fosforila proteínas que são responsáveis pelo tráfego daquelas tubulovesículas citoplásmaticas que contém bomba H+/K+ e as levam até a membrana apical da célula aumentando então a secreção do ác.clorídrico.

2. Via endócrina: Se dá pela gástrina que é secretada na corrente sanguínea pelas células G do antro gástrico e se ligam no receptor CCK2. Estímulo neuroendócrino que é promovido pela Ach que é liberada dos nervos pós ganglionários cujo os corpos celulares se localizam na superfície submucosa. 

A Ach vai se ligar no receptor M3 e também desencadeia uma resposta celular através de acoplamento com proteína G mas ddessa vez estimulando a fosfolipase C, produzindo então como um dos segundos mensageiros o aumento do Ca2+ intracelular o que promove um estímulo da bomba H+/K+

Essa secreção ácida é inibida pela ação de SST pelas células D que diminuem a secreção ácida por meio de 3 mecânismos:

1. Inibição da secreção de gástrina

2. Inibição da liberação de histamina

3. Inibição direta da secreção ácida pelas células parietais.

O CO2 é hidratado, formando H2CO3, que é transformado em HCO3- e H+. O HCO3- entra em contato com um "trocador" de Cl-, enquanto que o H+ passa pela Bomba de Prótons, junto com íons de K+. Dessa forma, o H+ e o Cl- passam da célula parietal e se encontram no lúmen estomacal, formando o HCl-. O bicarbonato que vai pro sangue é responsável pela alcidose metábolica após o processo, conhecida como ''maré alcalina''.

A produção excessiva de ácido clorídrico pode causar problemas à mucosa estomacal, podendo causar gastrite ou até mesmo desenvolvendo úlceras. Esses problemas podem ser tratados com medicamentos específicos que agem ou inibindo o estímulo para a produção do HCl (estes são bloqueadores dos receptores H2 que competem com a histamina pelo receptor) ou agem inibindo as bombas de prótons, impedindo que tenha H+ no lúmen para formar o ácido.

Principais Funções:

  • Desnaturação: perda da forma tridimencional das proteínas. Dessa forma, elas podem ser ''atacadas'' pelas proteases. As primeiras enzimas a hidrolizarem as proteínas são as endopeptidase (atuam no meio da cadeia) e as exopetidades (atuam nas extremidades)
  • Anti- séptico gástrico.
  • Ativação do pepsinogênio (secretado pela celula principal) em pepsina
  • Controle da motilidade e esvaziamento gástrico
  • Estimulação de suco pancreático através de receptores no duodeno

Enzimas que atuam na digestão e onde são secretadas: 

Por que tantas enzimas?

 Cada uma tem a sua especificidade










As proteínas desnaturadas ficam exposta e assim elas podem ser atacas pelas proteases.

As primeiras enzimas a hidrolizarem são as endopeptidades que atuam nas ligações peptídicas no meio da cadeia, enquanto as exopeptidases atuam ou na ponta aminoterminal (aminopeptidases) ou na ponta carboxiterminal (carboxipeptidases) 


Digestão inicial de Oligopeptideos


  • Oligopeptideos com 3 ou mais resíduos podem ser clivados pela amino-oligopeptidade e como resultado temos aminoácidos livres, di e tripeptideos e oligos remanescentes.
  • A dipeptil aminopeptidase, o cliva formando um dipeptideo e um oligo remanescente sempre que na penúltima posição houver uma prolina ou alanina
  • Os di e tri peptídeos podem ser hidrolizados por outras aminopeptidases da borda em escova liberando aminoácidos livres
  • São absorvidos por proteínas transportadoras de aminoácidos.
  • Também podem ser absorvidos por enzimas intracelulares, transportadoras de di e tri peptídeos e dentro do enterócito sofre a açao de peptidase endoplasmetica liberendo aminoácidos livres.

Absorção dos aminoácidos


A proteína transportadora de aminoácido dependem do gradiente de sódio para esse transporte que é gerado pela sódio potássio atpase presente na membrana baso lateral realizando assim, um transporte ativo secundário, fazendo o aminoácido entrar contra seu gradiente de concentração











Absorção dos peptídeos



Também depende da sódio potássio atpase presente na membrana baso lateral, gerando um gradiente de sódio usado por um trocador sódio/ H+ e assim é criado um gradiente de H+ que é usado por um co- transportador para di e tri peptídeos. Entrando no enterócito e sofrem ação das peptidases entéricas liberando aminoácidos que passam através de permeases especificas para serem absorvidos para a corrente sanguínea

Esquematizando o que foi escrito:



Referências: Aula transcrita ministrada dia 03/03/2021 pela professora Adriana Pedrenho

Digestão e Absorção de Lipídeos

 O que são lípideos?

Trata-se de biomoléculas orgânicas, não são caracterizadas por algum grupo funcional comum, e sim pela sua alta solubilidade em solventes orgânicos e baixa solubilidade em água por serem hidrofóbicos

Classificação:

  • Triacilgliceróis (ou gordura): Triésteres do glicerol. A gordura esta no estado líquido, conhecida como oléo;
  • Ceras: ésteres de ácidos graxos de cadeia longa com álcoois de peso molecular elevado;
  • Fosfolipídeos: Lipídeos que contém além de ácidos graxos e álcool, residuo de ácido fosfórico. Subdividem-se em fosfoglicerídeos e esfingolipídeos;
  • Esteróides: derivados do ciclopentanoperhidrofenantreno

Funções:


  • Reserva de energia (Triglicerídeos),
  •  armazenamento de energia, 
  • sinalização, isolante térmico, 
  • elétrico e mecânico, 
  • carreadores de vitaminas, 
  • compenente estrutural de membranas biológicas




Principais lipídeos


 Digestão

A diminuição inicial física e enzimática da molécula é através da mastigação, peristaltismo e ataque ácido no estômago. Na boca e no estômago ocorre o inicio de sua digestão mas ela só é efetiva quando chega no intestino delgado (duodeno).

A diminuição do tamanho do diâmetro nos permite envolver a separação mecânica dos lipídeos das outras substâncias, ou seja, separando-os das proteínas e dos glicídios.



Na boca com a lipase lingual com a hidrólise dos ácidos graxos (AGs) dos triacilgliceróis (TGs). O processo continua no estômago com a ação da lipase gástrica, principalmente, na digestão de ácidos graxos de cadeia curta.

No duodeno acontece a etapa mais importante, ele detecta a presença de bolo alimentar devido ao H+ e HCl secretado no estômago e produz a secreatina em resposta do pH baixo e à presença de ácidos graxos. A secreatina induz o fígado e o pâncreas uma secreção aquosa rica e bicarbonato. Tanto a bile quanto o suco pancreático vão em resposta à ação desse hormônio para neutralizar o ambiente ácido que veio do estômago para que as enzimas digestivas possam trabalhar.

Em seguida, as células endócrinas intestinam secretam colecistocinina (CCK) que está sempre ligada ao colesterol e à bile. Sua função é a contração mais efetiva da vesícula biliar, liberando ácidos e sais biliares no duodeno que tem ação "tensoativa detergente" da bile propiciando uma hidrossolubilização parcial dos lípideos pela ação da bile no I.D. logo todos os lipídeos que cheguem no duodeno formarão pequenas micelas para que haja um encontro ideal entre elas e as lipases. No pâncreas a CCK vai fazer com que haja a secreção de suco pancreático.

A próxima etapa é a hidrolise enzimática feita por enzimas pancreáticas do suco pancreático.

As enzimas presentes são: Lipase pancreática, isomerase, colesterol esterase e fosfolipase.

Dentro das micelas há fosfolipídeos, colesterol esterase e triacilglicerol.

Os fosfolipídeos são atacados pelas fosfolipases, sofrendo hidrolise, liberando lisofosfolipídeos e um ac. graxo.

As esterase colesterol sofrem ação da lipase pancreática juntamente com a colipase (isomerase), que tem função de sustentação, auxiliando a lipase a hidrolisar o triacilglicerol, gerando 1-monoacilglicerol, logo em glicerol.

O glicerol dos ác. graxos de cadeia curta tem afinidade com água logo vão para a corrente sanguínea pois se dissolvem facilmente.

Já os monoacilgliceróis e ácidos graxos de cadeia longa, são re-sintetizados, transformando em triacilglicerol que são hidrofóbicos então são exocitados pela linfa.

Absorção

O processo de absorção é feita por difusão simples por a membrana ter a mesma propriedade lipídica dessas moléculas de lipídeos. A partir dos monoglicerídeos, os ácidos graxos livres são absorvidos e podem se difundir para o enterócito.

Os ácidos graxos de cadeira longa (AGCL) assim como os monoglicerídeos, podem ser utilizados no complexo enzimático que é chamado Acil-coA sintetase, que se esterificam de novo formando um triacilglicerol dentro do enterócito. Esses triacilgliceróis serão a base para formar uma lipoproteína que é difundida para a linfa (quilomícron), e apenas os ácidos graxos de cadeira curta (AGCC) e o glicerol vão para o sangue







Referências: Aula transcrita ministrada dia 24/02/2021 pelo professor Sávio Amado



Digestão e Absorção de Carboidratos

 Introdução

Sabe-se que os glícideos estão entre os principais macronutrientes presentes em nossa dieta, além disso eles possuem características como alta carga energética e de rápida liberação, também são hidrofílicos, e sua dinâmica é muito fluída, podendo circular em nosso organismo facilmente, além disso participam da formação de estruturas de células e de ácidos nucleicos.

Mas o que são glícideos?

Trata-se de macromoléculas orgânicas, conhecidas como carboidratos, formada por carbono, hidrogênio e oxigênio (CH2O)n.

Podem ser classificados em polissacarídeos (alto peso molecular) ou em oligossacarídeos, dissacarídeos e mesmo hexoses (baixo peso molecular)


Classificação:

1. Monossacarídeos: 

Não podem ser hidrolizados em compostos mais simples, normalmente com sabor adocicado e podem ser trioses (3 carbonos), tetroses (4 carbonos), pentoses (5 carbonos), hexoses (6 carbonos), heptoses (7 carbonos). Ex: Glicose, Frutose, Ribose e Galactose.

2. Dissacarídeos: 

Compostos por dois monossacarídeos ligados por por ligação glicosídica. Os dissacarídeos são os oligossacarídeos (ligação de 2 a 6 monossacarídeos) mais importantes. Ex: Maltose (glicose + glicose), Sacarose (glicose + frutose) e lactose (glicose + galactose)

3. Polissacarídeos:

Polímeros compostos por vários monossacarídeos. Estes não são solúveis em água. Ex: Amido, glicogênio e celulose.




Digestão

A estimulação do parassimpático provoca secreção abundante de saliva aquosa. O estímulo inicial para essa ocorrência pode ser o contato do alimento com a mucosa oral, o odor, etc... A digestão iniciará na boca, com a ação da enzima amilase salivar/ptialina (presente mais em primatas e humanos), que atua quebrando o amido (amilose + amilopectina) (hidrolisa as ligações glicosídicas) mas pode agir digerindo glicose também.

Essa enzima é produzida pelas glândulas salivares (glândula sublingual, glândula submaxilar e glândula parótida) e rompe as ligações ALFA 1,4 (tendo Cl como cofator).

As ligações ALFA 1,4 estão presentes em amilose, amilopectina (também possui ligação ALFA 1,6 então não consegue ser totalmente digerida) e glicogênio.

Contudo a enzima amilase salivar tem ação limitada pois a mesma exige um pH neutro, sendo sensível ao meio ácido, logo ela continua desempenhando sua função até chegar no estômago, onde sua ação é inibida devido ao pH ácido do estômago. Essa enzima perde sua função pois desnatura (perde sua estrutura e consequente perda de suas propriedades). No estômago não ocorre digestão de carboidratos.


Já no intestino delgado, a enzima atuante será a amilase pancreática que é liberada junto com o suco pancreático. Esta também rompe ligações ALFA 1,4. A ação dessa enzima resultará em maltose, dextrinas e isomaltose.

No intestino delgado (duodeno) ocorrerá digestão na região luminal (digestão luminal), como também na região membranosa (MBL) (digestão entérica/membranosa) especificamtente na borda em escova do enterócito.

Os glícideos contidos no bolo alimentar atravessam o estômago, de um modo geral, sem sofrer alteração. Após isso sua digestão dependerá de enzimas de origem pancreática que o atingirão na luz intestinal e de enzimas das próprias células que o antigirão na membrana.

Na luz intestinal ocorre a ação de enzimas como maltase (quebrando a maltose em 2 glicoses), sacarase, lactase e isomaltase (que rompe as ligações ALFA 1,6 da isomaltose), resultando em monossacarídeos que formam a sacarose, lactose e isomaltose, ou seja, no final do processo de digestão encontramos os seguintes monossacarídeos: glicose, frutose e galactose que serão absorvidos pelos enterócitos.

Absorção

Agora o processo de absorção será dentro dos enterócitos. As hexoses resultantes não permeiam facilmente na bicamada lipídica das membranas celulares dos enterócitos. São transportados por carreadores específicos.

Do lúmen intestinal a glicose a galactose são transportadas ativamente pelo carreador SGL-T.

Há um acoplamento do influxo de 1 mol de glicose ou de galactose e 2 moles de Na+. Este portanto é um cotransportador 2Na+: glicose e galactose, eletrogênico que depende tanto do gradiente eletroquímico como do potencial elétrico da membrana luminal.

Logo, a absorção intestinal de glicose e de galactose através da membrana luminal é feita através de transporte ativo secundário acoplado ao influxo de Na+.

Importante ressaltar que a inibição da Na+K-/ATPase inibe a absorção intestinal dessas hexoses porque dissipa o gradiente de potencial eletroquímico para Na+ através da célula.

Ademais, redução de Na+ luminal ou sua ausência também afeta a absorção intestinal dessas hexoses, porque diminui a afinidade do SGL-T para glicose e galactose.

Já na membrana basolateral (MBL) essas hexoses são transportadas passivamente por difusão facilitada mediada pelo carreador pertencente à família dos GLUT.

GLUT 2: é um transportador do tipo passivo e leva a glicose que entrou junto com o sódio para fora da célula intestinal em direção ao sangue (sai na membrana voltada para os capilares). A glicose então é absorvida através da veia porta. Esse transportador também faz esse mesmo processo com a frutose e a galactose.

GLUT 5: é um transportador do tipo passivo e leva a frutose da região luminal para dentro da célula intestinal, independente do acoplamento com o Na+.

Depois dos monossacarídeos serem absorvidos e enviados para a circulação sanguínea, eles vão para o fígado (onde a glicose que resta é convertida em acetil-coA, que pode ser utilizado para gerar energia ou ser utilizado para a formação de ácidos graxos), através da veia porta onde serão metabolizados e distribuídos para o organismo. 


Referência: Aula transcrita ministrada dia 18/02/2021 pela professora Adriana Pedrenho.

Introdução à Digestão e Absorção

O que é digestão?

Seria o conjunto de transformações e reações que os alimentos sofrem ao longo do sistema digestório, a fim de se converterem em compostos menores, para que haja a absorção dos nutrientes presentes nos alimentos que são muito necessários para a manutenção da vida, ou seja desdobramento dos alimentos de alto peso molecular em moléculas menores, por meio de reações de hidrólise (catalizadas por enzimas específicas) e por meio de fermentações bacterianas.
Resumidamente trata-se da simplificação de alimentos.
-> Moléculas grandes virando moléculas pequenas a ponto de serem filtradas pelo sangue e/ou linfa.

- Muitas vezes é necessário o trabalho sequencial de duas ou mais enzimas para completar a digetão.


O processo inicia na cavidade oral, através de uma enzima chamada amilase salivar, e continua no estômago, mas começa de fato no intestino delgado.


O que é absorção?

É a transferência dos produtos da hidrólise e fermentação, da luz intestinal para a corrente sanguínea ou linfa. Os alimentos seguem um fluxo no tubo digestivo, de uma forma coordenada, para que sejam devidamente digeridos e absorvidos.

Classificação quantitativa dos nutrientes

  • Macronutrientes: Glicídeos, lipídeos e proteínas;
  • Micronutrientes: Vitaminas e minerais.

 Classificação funcional dos nutrientes

  • Energéticos: Glicídeos e lipídeos;
  • Estruturais: Proteínas e Minerais;
  • Catabólicos: Vitaminas, Fibras e Minerais.

obs: Essa divisão é feita por questões didáticas, mas sabemos que os alimentos podem ter mais de uma caracteristica, assim como as proteínas, por exemplo, podem ser usadas como fonte de energia.

Classificação quanto aos hábitos alimentares

Características importantes e comuns

  • Microvilosidades para aumentar a absorção
  • Sucos digestivos (secretado por glândulas anexas: saliva; suco gástrico, suco pancreático; bile ; suco entérico)
  • Controle do Sistema Nervoso Central
  • Controle endócrino (produção de hormônios)
  • Trabalho do Sistema Linfoide. Imunidade e absorção dos lipídeos
  • Trabalho do Sistema Circulatório ativo e estratégico
  • Arranjo celular e molecular complexos para ajudar no peristaltismo  e permite filtragem correta
  • Proteínas receptoras

Tipos de tubos digestórios entre os animais



Dos Ruminantes: 

Além da ampliação do ceco, o cólon também fornece um ambiente favorável para tal ação bacteriana com máxima eficiência



E a celulose?

Carnívoros e onívoros não são capazes de desdobrar a celulose pois não possuem a enzima celulase presente no organismo e não possuem um ambiente favorável para proliferação dos microorganismos simbióticos para digestão da mesma.

Já os herbívoros monogástricos realizam a digestão da celulose no no ceco (porção inicial do intestino grosso), porque há um processamento fermentativo contudo apresentam ceco terminal no tubo digestivo prejudicando a digestão por completo, então, para compensar, animais como coelhos fazem cecotrofagia. Já os equídeos possuem ceco e cólon favoravel a proliferação de microorganismos capazes de desdobrar a celulose.


 

Já os herbivoros poligástricos possuem o estômago dividido em câmaras fermentativas e são altamente especializados na digestão da celulose.


O intestino delgado

Possui adaptações como pregas, vilosidades e microvilosidades que amplificam a superfície de contato do epitélio absortivo do intestino delgado e os nutrientes. 

O tubo digestivo, desde a boca até o intestino grosso possui uma complexa adaptação em cada espécie animal de acordo com seus hábitos alimentares, contudo possuem alguns pontos em comum como:



  • Presença de sucos digestivos (glândulas anexas): saliva, suco gástrico, suco pancreático, bile, suco endócrino.
  • Sistema neuroendócrino (controlador do tubo/ glândulas): deglutição, mastigação, movimentação do bolo alimentar, comunicação com trajeto do bolo com o estômago, intestino...
  • Sistema linfóide: células brancas, auxília no processo de absorção dos lipídeos.
  • Sistema circulatório: cai direto no sangue ou é metabolizado pelo fígado.